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Mindset: A Nova Psicologia do Sucesso

Uma das coisas que me emocionam é a questão do aprendizado, não somente aquele referente a transferência de conhecimento especializado como matemática, português etc, mas também o aprendizado relacionado à transmissão de conhecimento da vida. Acredito que este é um dos objetivo dos livros, e este livro escrito pela ph.D Carol S. Dweck dá uma visão fascinante sobre a nossa educação e nos ajuda a observarmos melhor nossas crenças relacionadas à aprendizagem, nos ajudando a refletir como nos comportamos diante dos desafios.

Eu diria que Mindset é um jeito mais “chique” de se chamar uma “forma de pensar” que, segundo o livro, são duas: Mindset Fixo e Midset de Crescimento. Para saber qual o seu tipo de mindset no momento faça o teste no link clicando Aqui.

Também gostaria de compartilhar uma tirinha de “Calvin e Haroldo” incluída no livro que ilustra bem os dois tipos de mindsets:

De um lado, temos Calvin que está com o mindset fixo, não dando o devido crédito ao esforço e utilizando das rotulações para definir a capacidade intelectual da menina, e do outro lado temos, a menina com mindset de crescimento que está se esforçando para aumentar seus conhecimentos.

As pessoas com mindset fixo são aquelas que não acreditam na possibilidade de aprendermos com nossos erros, acreditam que não é possível evoluirmos o pensamento mesmo com esforço. São pessoas que acreditam nas capacidades “natas” ou genialidades e que o sucesso se dá devido aos dons que “ou você tem ou você não têm”. As pessoas com mindset de crescimento são pessoas que têm uma boa relação com os erros e as dificuldades, acreditam que o desenvolvimento se dá com a prática e podemos ficar bom em determinadas atividades mesmo não aparentando ter o dom, mas acreditam na capacidade de se desenvolverem através do esforço e da experiência.

Segundo o livro, a mentalidade fixa é desenvolvida na infância quando pequenos gênios acreditam que nasceram com determinadas atividades e seus pais os parabenizam por serem tão inteligentes e especiais e esta “rotulação” acaba fazendo-os acreditar que não é necessário esforço para continuar praticando, e que seus supostos dons continuarão lhes ajudando até o fim da vida, mas eles se decepcionam ao encontrarem as primeiras dificuldade ou ao conhecerem outras pessoas melhores que elas. Muitas pessoas acabam se frustrando porque não têm determinada habilidade, acreditando que não serão melhores mesmo se praticarem por algum tempo.

A mentalidade de crescimento, da mesma forma que a fixa, é desenvolvida na infância, mas as crianças com este tipo de mindset acreditam que cada vez mais estão melhorando com os erros, pois acham excitante e empolgante o aprendizado adquirido mesmo que tenham “errado”. Os pais parabenizam as crianças pelo esforço empregado em suas atividades, sendo que, de certa forma, os filhos acabam reconhecendo que é possível alcançar o sucesso através do empenho, foco e dedicação.

“Se você é alguém quando tem sucesso, o que você é quando fracassa?”

Carol S. Dweck

As pessoas com mindset de crescimento acreditam que todo o caminho já é parte do desenvolvimento, isto nos ajuda a termos uma visão mais positiva sobre tudo na vida, porque se não alcançamos determinada meta não significa que não tivemos sucesso, a vida continua e temos muitas outras oportunidade para nos desenvolvermos se nos aplicarmos realmente. Podemos tomar como exemplo as pessoas que leram meu último post sobre Mindfulness onde são dados vários exercícios de meditação de atenção plena; Existem aqueles que dirão “isto não é pra mim, minha mente não consegue ficar quieta nem um minuto. Eu não vou conseguir ficar parado” e outras pessoas dirão “isso pode ser pra mim, se eu praticar poderei ficar bom nisso. Eu não consigo ter atenção no momento, mas sei que é possível se empregar algum esforço”.

O mindset fixo é algo delicado até mesmo para os professores, pois se não acreditamos que alguém pode se desenvolver através da prática, através do incentivo, não  seremos bons professores ou até mesmo bons líderes. Existem exemplos no livro onde professores acreditaram no potencial dos alunos de escolas públicas e que, apesar de ninguém mais acreditar, conseguiram fazer com que as classes  alcançassem desenvolvimento e nível intelectual muito mais elevados do que a média.

As pesquisas constataram que pessoas de mindset fixo têm tendência de rotular os outros e a si mesmos e não acreditam que possam mudar esses estados. Ambos os mindsets estão sujeitos à depressão, mas as pessoas com mindset de crescimento tendem a movimentar-se e persistem em suas atividades apesar de toda a tristeza e angustia; as pessoas com mindset fixo acabam desistindo de suas atividades atuais e acabam entrando em um ciclo vicioso que alimenta ainda mais a depressão.

Até mesmo nos relacionamentos ter um mindset de crescimento é importante, porque estas pessoas têm maior capacidade de esquecer os desafetos amorosos e conseguem se recuperar mais facilmente, pois não se sentem eternamente marcados por determinado acontecimento. Além disso, como em todas as coisas, as pessoas de mindset fixo acreditam que “se você precisa se esforçar, é por que não era para ser”. No entanto, segundo estudos indicados pelo livro, no relacionamento a frase “e viveram felizes para sempre” é na verdade “e se esforçaram felizes para sempre”. Enquanto as pessoas de mindset fixo acreditam que um relacionamento feliz consiste na “leitura da mente” um do outro, as pessoas de mindset de crescimento acreditam no desenvolvimento através da experiência e diálogo.

Após vários exemplos dados sobre os benefícios e exemplos dos mindsets de crescimento, o livro dá um passo-a-passo de como podemos mudar nosso mindset e nossas crenças e como podemos alcançar a mudança através de objetivos bem definidos e esforço. Acredito que este livro é essencial para todas as pessoas, pois evidencia que somos capazes de mudar sim, que mesmo não sabendo de tudom podemos nos tornar bons no que quisermos contanto que tenhamos um mindset de crescimento. Podemos ter uma mentalidade que acredita na mudança, uma mentalidade que não rotula, mas acredita no desenvolvimento e no próprio crescimento.

Honestamente, ainda identifico em mim muitas crenças de um Mindset fixo, mas tenho plena crença de que, com o esforço adequado, poderei me desenvolver mais à cada dia. Desejo de coração que tenha contribuído pelo menos um pouco para que vocês também tenham interesse em desenvolver a mudança, interesse em praticar o esforço e que tenham um vida cheia de sucesso verdadeiro.

Pedro Cruz.

A Sabedoria do Eneagrama

Há algum tempo, a Carol solicitou um resumo de quem eu sou e isto me trouxe várias reflexões sobre mim mesmo, sobre as diversas máscaras que podemos identificar como nós mesmos, os diversos arquétipos de personalidade que existem e as diversas ferramentas que já utilizei para me conhecer melhor (Mapa Astral, Mapa Numerológico, teste Myers-Brigs, etc…). E no meio de tantos resultados (que são muito semelhantes), cheguei à conclusão que o Eneagrama fornece uma personalidade que condiz muito mais com a realidade do que todos os outros testes, não pela precisão, mas pela imprecisão e pela possibilidade de que nós não somos um tipo específico, mas somos todos ao mesmo tempo.

Os autores Don Richard Riso e Russ Hudson, explicam o funcionamento do eneagrama que é uma ferramenta que permite-nos identificar o tipo de personalidade base, não no sentido de valores e crenças, mas na forma como pensamos e reagimos às situações. O livro permite respondermos à 4 perguntas que , ao meu ver, são essenciais para o autoconhecimento: Quem eu sou? Onde eu estou? Por que eu estou onde estou? O que pretendo fazer sobre isso?

Eles também disponibilizam dois questionários que digitalizei e deixei para quem tiver interesse, o primeiro permite a identificação da sua personalidade com 70% de precisão e leva 5 minutos para se preencher: Questionário Riso-Hudson. O segundo teste possui várias questões que permitem identificar a porcentagem de cada personalidade que existe em nós mesmos (a personalidade que você obtiver mais pontos é a a sua personalidade no momento) e eu procurei simplificar para que vocês possam fazer quando tiverem um tempo e caso tiverem uma curiosidade de se conhecerem melhor (O original tem 144 questões e leva 45 minutos – esta versão tem 81 questões e deverá levar 30 minutos): Indicador Tipológico Via Eneagrama Riso-Hudson

Para cada tipo no eneagrama, foi identificado cada vício, cada paixão e até mesmo cada crença básica adquirida na infância. Além disso, o livro deixa claro a diferença entre a personalidade e a essência: é algo muito próximo da diferença da nossa alma e espírito, pois a personalidade é uma das facetas de nossa alma, é o nosso eu menor, e não representa o Eu maior que é a nossa verdadeira essência, nosso espírito. No geral, não vivemos nossa Essência porque estamos inconscientes de nossa personalidade, de nossas decisões automáticas e não conseguimos perceber o que faz parte do nosso ego e o que faz parte da nossa Essência. Este livro pode servir como um caminho. A simbologia e as características resumidas de cada tipo são os seguintes:

1. O Reformista

São pessoas acessíveis, sensatas, objetivas, moderadas, prudentes, com um senso de liderança natural, com forte identificação com a capacidade de avaliar, comparar, medir e discernir coisas e experiências. Têm resistência ao reconhecimento de tensões motivadas pela raiva, fazendo juízo de valores, condenando a si e aos outros.

Mensagem perdida da infância: “Você é bom”
Sinal de alerta: A sensação de ter a obrigação de cuidar de tudo sozinho.

2. O Ajudante

São pessoas amorosas, afetuosas, atenciosas, solicitas, gentis, carinhosas, com forte identificação com sentimentos motivados pelos outros e sentimentos baseados nas reações que despertam nas pessoas. Têm resistência em reconhecer os próprios sentimentos e necessidades e tendem a entregar aos outros o que para si tem mais valor.

Mensagem perdida da infância: “Você é querido”
Sinal de alerta: A convicção de que precisa convencer os outros de que está certo.

3. O Realizador

São pessoas admiráveis, desejáveis, atraentes, incomparáveis, eficientes, dotadas de moral com forte identificação em relação ao que percebe como admiração da parte das pessoas. Têm resistência em reconhecer os sentimentos de vazio e de auto-rejeição e tentam ser diferentes do que realmente são, estão identificadas com a máscara social.

Mensagem perdida da infância: “Você é amado pelo que é”
Sinal de alerta: O surgimento do impulso de buscar status e atenção.

4. O Individualista

São pessoas sensíveis, diferentes, singulares, conscientes de si mesmas, delicadas, intuitivas, que também passam a sensação de volúveis com relação às emoções e podem ser rotuladas facilmente como dramáticas. Têm resistência em reconhecer as qualidades positivas autênticas em si mesmo e a tornar-se como os outros, além de tender fazer comparações negativas.

Mensagem perdida da infância: “Você é visto como é”
Sinal de alerta: Apego aos sentimentos e suas intensificação pela imaginação

5. O Investigador

São pessoas perspicazes, curiosas, auto-suficientes, observadoras, alertas, objetivas, identificadas como frias e calculistas, dão a sensação de ser um observador frio e distante do mundo, e não parte dele. Têm resistência ao estado de presença e do estado físico, a sentimentos e necessidades, além de interpretar demasiadamente a própria experiência.

Mensagem perdida da infância: “Suas necessidades não são problemas”
Sinal de alerta: Fuga da realidade e refúgio em mundos e conceitos mentais.

6. O Partidário

São pessoas confiáveis, responsáveis, dignas de confiança, questionadoras com forte identificação com a necessidade de responder e reagir à ansiedade interior diante de uma falta de apoio recebida. Têm resistência ao reconhecimento de apoio e da própria orientação interior, dependendo quase sempre do apoio de algo exterior a si mesmo.

Mensagem perdida da infância: “Você está seguro”
Sinal de alerta: Dependência de algo exterior ao eu para orientação.

7. O Entusiasta

São pessoas entusiastas, donas de espírito livre, espontâneas, alegres, ávidas, sociáveis, que se identificam com a sensação da emoção proveniente da antecipação de futuras experiências positivas. Têm resistência ao reconhecimento do próprio sofrimento e da ansiedade, mas sempre procuram prever o que fará em seguida.

Mensagem perdida da infância: “Você não será abandonado”
Sinal de alerta: A sensação de que existe algo melhor em algum outro lugar (também conhecido como FOMO – Fear Of Missing Out)

8. O Desafiador

São pessoas fortes, assertivas, diretas, hábeis, ativas, tenazes, resistentes e independentes, com forte identificação com a sensação de intensidade decorrente da resistência ao desafio às pessoas e ao meio. Resistência ao reconhecimento da própria vulnerabilidade e necessidade de cuidados. Também tentam forçar ou controlar a própria vida na maioria das vezes.

Mensagem perdida da infância: “Você não será traído”.
Sinal de alerta: A sensação de precisar pressionar e lutar para que as coisas aconteçam.

9. O Pacifista

São pessoas tranquilas, relaxadas, estáveis, constantes, delicadas, naturais, fáceis de agradar com a sensação de estabilidade interior decorrente do distanciamento de impulsos e sentimentos intensos.Possuem resistência ao reconhecimento da própria força e capacidade e insistem em não se deixar afetar pelas próprias experiências.

Mensagem perdida da infância: “Sua presença é importante”
Sinal de alerta: Acomodação exterior aos outros.

É lembrado que os diferentes elementos que compõem o ser humano podem ser identificado na característica principal de cada tipo, pois cada tipo nos convida a viver por um objetivo mais sublime como o tipo 1; cuidarmos de nós mesmos e dos outros como o tipo 2; nos desenvolvermos e darmos um exemplo aos demais como o tipo 3; abandonar o passado e nos renovarmos com as próprias experiências como o tipo 4; nos observarmos e observarmos aos outros sem julgamentos nem expectativas como o tipo 5; ter fé em nós mesmos e confiar na bondade da vida como o tipo 6; celebrar com alegria a existência e compartilhar sua felicidade como o tipo 7; defender-se e defender aquilo em que acreditamos como o tipo 8; e levar ao seu mundo a paz e a cura como o tipo 9.

Este livro tem me ajudado muito no processo de autoconhecimento e autodesenvolvimento, pois dá várias dicas de como compreender melhor as pessoas à minha volta e, mais importante, tem me ajudado a me compreender melhor, me observar melhor. O livro deixa claro que toda a dinâmica de transcendência de nossa personalidade é um processo não linear, pois muitas vezes achamos que estamos crescendo espiritualmente e de repente levamos um “tropeção” que nos faz pensar que não adiantou de nada nossa percepção (tanta meditação); mas tudo isso faz parte da nossa jornada. Desejo de coração que esta matéria tenha ajudado a desenvolver seu interesse no autoconhecimento, desenvolvimento e compreensão.

Pedro Cruz.

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