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A Mente Acima do Dinheiro – O impacto das emoções em sua vida financeira

Gostaria de falar sobre algo que considero o último tabu da humanidade: o dinheiro. Porque o último tabu? Porque percebo que as pessoas são capazes de falar das coisas mais íntimas, mas têm medo e até mesmo vergonha de falarem sobre o dinheiro, principalmente no Brasil. E foi pensando nisso, que resolvi compartilhar alguns assuntos do livro “A mente Acima do Dinheiro” dos autores Brad Klontz e Ted Klonts (Pai e Filho).

Os dois autores, psicoterapeutas, têm experiência com consultoria, coaching, aconselhamento de casais e indivíduos que lutam com problemas relacionados ao dinheiro. Demonstrando através de histórias pessoais e histórias de seus clientes, como essa energia amplificadora (ao meu ver) pode afetar nossas vidas, mostra que tudo está intimamente relacionado aos preceitos que adquirimos no decorrer das nossas vidas, principalmente durante nossa infância.

Na minha vida, comecei a ter algum relacionamento com o dinheiro desde muito jovem, quando minha avó paterna começou a nos dar moedas sempre que íamos visitá-la. Obviamente que nunca tive muita consciência disso, mas muitas das vezes acabava indo ver minha vó apenas porque ela nos dava dinheiro que, muitas vezes, eu guardava para comprar algo no futuro, pois meus pais não tinham muita condição financeira na época. Uma vez, pouco tempo antes de falecer, minha vó falou de forma alterada conosco que nós (eu e minha irmã) só queríamos vê-la por causa do dinheiro e aquilo me tocou profundamente porque provavelmente era algo verdadeiro e, este “trauma” acabou que me influenciou bastante na forma como lido com o dinheiro hoje em dia.

Outra coisa que percebo em minha família, é como o dinheiro nos deixa apreensivos e estressados, a ideia de gastar mais do que se ganha é algo que causa briga entre as pessoas da minha família. Mas em contrapartida, existe uma resistência em guardar dinheiro, pois existem preceitos (ou crenças) de que o “dinheiro não traz felicidade”, que “o rico não entra nos céus” e até mesmo “os ricos não são honestos”. Dessa forma sempre cresci num ambiente com muitas ideias conflitantes de amor e ódio sobre o dinheiro. [Acredito que, muitas outras pessoas também se identificam com isso]*.

Os autores defendem que quando surgem as dificuldades é que os preceitos financeiros se tornam um problema, porque deixamos o nosso inconsciente tomar o controle, pois os velhos sentimentos e preconcepções sobre o dinheiro podem se infiltrar na nossa mente, mas se soubermos identificar esses preceitos, e nos separar deles, e se conseguirmos reescrevê-los podemos aprender a nos adaptar a quaisquer desafios que surjam.

O livro fala que o trauma é uma energia emocional que pode ser destrutiva se não for descarregada de forma segura. E aqui, tocamos em outro “tabu” tão complexo quanto o assunto dinheiro que é a expressão de nossas emoções, pois a nossa sociedade ocidental não tem a cultura de lidar com as emoções principalmente traumáticas e, como consequência, acabamos adoecendo e repetindo padrões que estão intimamente ligados a determinado trauma, mas não temos consciência disso (e muitas vezes nem temos interesse em procurarmos ajuda psicológica).

Pessoalmente, acredito que através da expressão de meus sentimentos internos, nas terapias, que pude identificar padrões referente à relação com minha família e as pessoas à minha volta devido às experiências que tive quando estava com aproximadamente 3 anos de idade: basicamente eu sentia uma carência de afeto por conta da morte do meu vô e nascimento da minha irmã. Ter conscienciência desta falta na infância me ajudou a compreender a mim mesmo e, de certa forma, me ajuda a manter o equilíbrio emocional hoje em dia, pois quando estou ansioso volto no momento em que me senti mais solitário e acolho aquela criança, de forma a deixá-la saber que eu a vejo e tenho ciência do que ela passou, o que me traz um sentimento de plenitude, calma e paz no momento presente.

“Outra forma de lidar com o trauma, no caso financeiro, é imaginar o incidente a partir do ponto de vista de outra pessoa. O que ela tinha em mente? Onde estava a sua motivação ou intenção? Sabendo o que sabe hoje sobre o passado daquela pessoa e o que ele ou ela enfrentava na época do acontecimento, será que compreende melhor o que pode ter provocado seu comportamento? Isso faz com que você saia do papel de vítima indefesa e restaure um sentimento de vontade. Também o ajuda a perceber quais aspectos do acontecimento que você não pode controlar; portanto, você pode parar de se culpar.”

Por fim, gostaria de compartilhar um dos exercícios que o livro propõe chamado “o ovo do dinheiro” que pode nos ajudar e muito com relação aos nossos traumas financeiros:

  1.  Em uma folha de papel branco desenhe uma figura no formato de um ovo;
  2.  Pense no momento mais remoto de sua vida que consiga se recordar. Qual é a experiência como dinheiro mais antiga, dolorosa, agradável ou digna de nota que você pode se lembrar? Segure a caneta ou lápis em sua mão não dominante (ou seja, se você é destro, use sua mão esquerda e vice-versa). Isso ajuda a suprimir seu cérebro racional e encoraja o lado emocional. Pense em sua primeira experiência e desenhe símbolos ou uma simples cena para representar esse acontecimento;
  3. Como feito anteriormente, pense na experiência seguinte que consegue recordar. Ela deve estar relacionada ao dinheiro e pode ser agradável, dolorosa ou de alguma forma marcante, e desenhe como fez com a primeira. Ao continuar desenhando com a mão não dominante e segmentando os símbolos, seu ovo começará a ficar semelhante a uma colcha de retalhos. Finalmente, no topo do ovo desenhe a lembrança mais recente que queira ilustrar. Ela pode, mas não precisa ser, algo de sua vida no presente. Você deve, pelo menos, ir até o início de sua vida adulta;
  4. Volte à base do ovo com a memória mais antiga e avalie cada seção. Recorde com o máximo de detalhes a situação e os acontecimentos. Usando sua mão dominante desta vez, escreva uma palavra ou frase que resuma suas emoções em resposta a cada uma delas. Se não sente nada em especial, imagine a cena com uma pessoa querida em seu lugar. Escreva os seus sentimentos ao observar o acontecimento com aquela pessoa.
  5. Começando novamente na base do ovo, crie uma lista de “lições” que tenha aprendido sobre o dinheiro com base nestas experiências. É provável que você perceba alguns preceitos financeiros já identificados antes e, talvez, alguns totalmente novos.
  6. Avaliando o quadro como um todo, complete rápido esta frase:”A moral da história sobre o dinheiro na vida desta pessoa é…”.

Esse exercício foi criado para ajudar a identificar e começar a lidar com os seus preceitos financeiros limitantes e destrutivos. É recomendável conversar sobre o assunto com um amigo de confiança, mostrar a um terapeuta ou conselheiro. Eu particularmente recomendo o thetahealing para identificar as crenças limitadoras e possibilitar a substituição por crenças que poderão ajudar a prosperar.

Acredito que tanto a educação sobre a inteligência emocional como a inteligência financeira deveriam ser matérias ensinadas no ensino fundamental, pois esses dois assuntos são o que realmente levamos para o resto das nossas vidas e a maioria da pessoas em nosso país encontram dificuldades nessas áreas.

Desejo de coração que esta coluna tenha contribuído para seu autoconhecimento, te ajudado a refletir sobre a situação emocional e financeira na sua vida e que possa te ajudar a prosperar com muito mais consciência, felicidade e paz!

Pedro Cruz.

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Obs: []* – Adicionado por Carol Rocha.